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Inspirações de uma Estrela!

Eu, ele e ela – Clarissa Corrêa

Eu, ele e ela Conheci ele de um jeito muito diferente. Não posso relatar aqui os inúmeros e surpreendentes detalhes da nossa história, mas afirmo que foi coisa de novela do Manoel Carlos. Tudo bonito. A gente se olhou, conversou, se beijou, se encantou. Depois que eu estava tremendamente apaixonada ele me disse que tinha namorada.

É lógico que eu fiquei arrasada. Mas é lógico que ele me contou que as coisas andavam meio frias, quase geladas, que estavam dando um tempo, que patati patatá. Acreditei. Então, quando me dei conta, ele estava comigo e com ela. É claro que ela não sabia de mim. É claro que eu sabia dela.

Passei muitos finais de semana afogada em lágrimas. Na sexta à noite, quando todo mundo ficava com o seu par, a ficha caía e eu me dava conta que não tinha ninguém. Na segunda logo cedo eu esquecia de tudo e vivia momentos intensos, semi felizes. Mas algo faltava. E eu sabia que algo sempre ia faltar.

Me distraía com os amigos, fazia questão de não conhecer homem algum, afinal, ele era meu (será?). Só de imaginar ele ao lado dela meu coração se arrepiava inteirinho. Só de pensar que ele beijava aquela boca me dava ânsia de vômito. E não foram raras as vezes em que vomitei de desgosto. E não foram raras as noites em que esperei uma ligação que nunca vinha. E não foram raros os aniversários que passei sozinha. E não foram raras as festas que fui eu, eu mesma e Irene.

Algumas amigas me condenavam, eu só ouvia meu coração. Ele era o cara certo para mim. Eu só tinha que resolver aquele pequeno “detalhe”. Mas eu sabia que as coisas não estavam bem, que ele só estava com ela porque ela tinha perdido a mãe há pouco tempo. Coitada, estava deprimida, mal comia e tinha insônia. Neste momento ele não podia deixar a moça na mão, afinal de contas foram 4 anos de namoro. Quatro anos. Mas era só ela melhorar e ele ia dar um tchau bem grande e definitivo.

Uma hora eu cansei. Decidi deixar aquela vida que me fazia tão mal. Resolvi procurar alguém que me fizesse bem. Comecei a tomar conta de mim e conheci um cara. Ele era legal, tinha bom papo, era honesto e s-o-l-t-e-i-r-o, mas não era o cara certo para mim. Não tinha aquele beijo, não tinha aquela pintinha do lado do nariz, não tinha o abraço quente. Fui fraca. Voltei. E a depressão dela não passava, ela não melhorava, nada ia pra frente.

Sentia que ele me dava desculpas, sabia que o celular ficava desligado quando eles estavam juntos. Me sentia moída feito pimenta do reino. Mas eu gostava, gostava, gostava e isso gritava dentro de mim. À noite, antes de dormir, abraçava o travesseiro e pensava que logo, logo a gente ia dormir e acordar junto todo dia. Um dia eu ia ter ele todo para mim. Pensava que não era possível passar por tantas provações por nada. Pensava que não era possível gostar tanto de alguém e não dar certo.

Teve um domingo em que encontrei eles em um restaurante. Ela estava linda, com cara de feliz. Ele estava lindo, com cara de apaixonado. Eu estava acabada, com cara de quem foi enganada. Acabei tudo de novo. Ele pediu perdão, disse que eu não podia fazer aquilo com ele, chorou. Dias depois eu cedi. E assim foi a nossa vida até o dia do basta.

Não sei explicar direito como aconteceu, só sei que acordei uma manhã e passei minha vida a limpo. Não condeno e nunca vou condenar mulheres que estão com homens que têm outras mulheres. Não sei qual é a circunstância, não sei como tudo aconteceu, não sei a ordem das coisas. É difícil julgar. É difícil ser julgada. Eu fui, mas não tenho raiva de quem me julgou. Eu gostava, o sentimento era mais forte que eu, que minha razão, que minha sanidade. Não acho que a mulher que se envolve com um cara comprometido é vagabunda. Sei que algumas fazem de propósito (essas, sim, não valem nada), mas não era o meu caso. Nunca fui destruidora de lares, tampouco curto esse jogo de roubar homem da outra. Eu me apaixonei e quando vi estava ferrada. Mas uma manhã eu acordei, passei a minha vida a limpo e resolvi deixá-lo. Sem olhar para trás.

(Clarissa Corrêa)

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